Paint no Brasil

 Assim como no conto infantil do patinho feio a raça já foi descartada por muitos criadores justamente por ser pintada. Hoje em dia, essa mesma característica dá o nome ao Paint Horse, que atualmente é um dos campeões de preços e importação no Brasil, além disso, o número de associados da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Paint (ABC Paint) cresce geometricamente, com a média de 300 novos sócios/ano. O principal fato de tamanho sucesso? O próprio cavalo.
 Assim como nos Estados Unidos, a aceitação no Brasil não foi fácil. Quando os primeiros Paints desembarcaram no País, há cerca de 16 anos, eles eram encarados mais como um hobby, algo bonito para estar no haras do que como uma raça, que gera negócios, propriamente dita.
 Os primeiros importadores estavam em Brasília, onde fundaram a Associação e outros poucos espalhados pelo País. Um deles era o atual Presidente da raça, Orlando Lamônica Júnior, que após uma visita a American Paint Horse, vislumbrou o mesmo sucesso do cavalo aqui no Brasil.
 O grande problema era a distância, Brasília está afastada dos grandes centros criadores de eqüinos e não despertaria a atenção dos proprietários de outras raças no Paint Horse. A solução foi mudar a sede e reinaugura - la em Bauru, interior de São Paulo, em 1995.
 Solucionado o problema do local, veio o principal desafio: "como tornar uma raça nacional e viável economicamente com apenas algumas dezenas de cavalos no País". A solução foi deixar que a própria raça mostrasse a sua força. Em outras palavras, divulgar o potencial do Paint Horse.
 Para tanto, foi realizado em 1995, em Bauru, no mês de novembro, o I Campeonato Nacional de Conformação. A pista mostrava a realidade da raça, apenas 12 cavalos e muita qualidade. A partir de então, a Associação passou a participar de exposições e feiras em diversas partes do País. Promoveu, também dois rodeios em 1996, visando popularizar o nome "Paint Horse".
 Com essa movimentação, os criadores de outras raças passaram a perder o preconceito contra a raça. Muitos achavam apenas o cavalo bonito, mas com pouca ou nenhuma função. Com a exploração das qualidades do Paint, o crescimento foi geométrico.
 Essas qualidades são as combinações únicas de versatilidade, onde se destaca em quase todas as provas funcionais existentes; docilidade, característica fundamental para esportes como cavalgada e hobby familiar e o seu principal diferencial: a pelagem exótica. A cor do pêlo e o padrão fazem do Paint Horse um cavalo único, valorizando qualquer haras. Cada Paint tem uma combinação particular de branco em qualquer outra cor dos eqüinos. As manchas podem ser de qualquer forma ou tamanho e podem ser localizadas virtualmente em qualquer lugar do corpo do animal. Essas características, funcionais e de beleza, é que estão fazendo do cavalo pintado um investimento seguro e certo no mercado.
 Uma das provas do crescimento e aceitação do Paint Horse foram os saltos no número de cobertura, principalmente os que ocorreram na década de 90. Em 1995 aconteceram 350 comunicações de coberturas; em 1996 cerca de 890; em 1997, 1320 coberturas; em 1998 um salto para 2.100 comunicações, em 1999 2.357. Em 2000, por sua vez, o total foi de 2.987 coberturas. De lá para cá os números somente foram aumentando.
 Não só as comunicações da década de 90 servem de análise. Outro importante dado são as constantes importações que estão sendo realizadas. Os criadores brasileiros de Paint Horse compreenderam, desde cedo, que mais importante que a quantidade é a qualidade. Por isso, no Brasil estão as principais linhagens de Paint e QM em várias modalidades funcionais e de conformação. Aqui também estão campeões mundiais e cavalos altamente premiados no exterior.
 O fechamento do Registro que começou progressivamente em 1996 e foi até o ano 2000, também foi fundamental para a raça. Assim, o criador que vai iniciar o plantel já tem em mente que compensa ter animais puros e selecionados.
 Outro fator que foi fundamental para o crescimento da Raça no Brasil foi a novela Estrela de Fogo, produzida pela Rede Record e cujo protagonista era um Paint Horse.
 Naquela ocasião, o lendário garanhão Eternal Doctor viveu o Estrela de Fogo. A sua aparição na tela, juntamente com outros cavalos pintados, disparava o Ibope e a novela foi esticada por duas ocasiões.
 A propaganda da Raça foi nacional e o retorno imediato. Nos leilões que aconteciam durante o período da transmissão da novela era comum as pessoas comentarem que estavam presentes justamente por causa da Novela.
 Desde a época da novela, mesmo com o número reduzido de animais no País, o Paint Horse vem experimentando algo raro no mercado eqüino brasileiro. A procura é muito maior que a oferta. Nos primeiros leilões, para se ter uma idéia, eram poucos os potros e muitos animais importados. Hoje, houve uma inversão. Quem for procurar Paint em haras ou em leilões vai deparar somente com potros. Isto porque, os compradores só aguardam o desmame para adquirir o seu cavalo. Isto, sem dúvida, mostra que a confiança no sucesso da raça é muito grande.
 Porém, a maior evolução da Raça está intimamente liga às provas. Uma raça que não tem função está fadada ao fracasso e o Paint Horse iniciou cedo o seu Campeonato.
 Mesmo com a forte barreira protecionista de outras raças e o preconceito forte que existiu contra o Paint Horse, o cavalo conseguiu mostrar a sua força e, atualmente, já consegue disputar em igualdade de condições em quase todas as modalidades com as raças mais velhas e antigas.
 Por sua vez, temos que reconhecer que nossa seleção genética é muito nova e o número de animais aptos ainda é pequeno (visto que só fazemos puros), mas, mesmo assim, com a ajuda de treinadores experientes e criadores ousados a Raça vem ganhando o seu merecido espaço.
 
 

Paint Horse, desenhado por Deus!